segunda-feira, 23 de março de 2026

The Beauty: Lindos de Morrer (2026)


🎬 The Beauty: Lindos de Morrer - Crítica Completa 

Olha, vou ser sincero: eu só cliquei em The Beauty: Lindos de Morrer porque o nome Ryan Murphy ainda me dá aquele frio na barriga de American Horror Story. Sentei no sofá numa noite chuvosa, sem muita expectativa, e já nos primeiros 15 minutos a coisa me pegou pelo pescoço. Não é um filme, é uma série de 11 episódios que estreou no Disney+ em 21 de janeiro de 2026, e eu acabei devorando quase tudo de uma vez.

2. Resumo com spoilers

A história começa no mundo cintilante da alta moda — Paris, passarelas, flash de câmeras — quando supermodelos internacionais começam a morrer de forma brutal e inexplicável. O FBI manda os agentes Cooper Madsen (Evan Peters) e Jordan Bennett (Rebecca Hall) pra Paris pra investigar. No começo parece caso de assassinato em série, mas a reviravolta vem rápido: existe um vírus sexualmente transmissível, chamado "The Beauty", criado em segredo por Byron Forst, um bilionário da tecnologia (o tal “The Corporation”, vivido por Ashton Kutcher). O vírus transforma quem se infecta em uma versão fisicamente perfeita, seguindo o padrão hegemônico de beleza, mas o preço é mortal — depois de um tempo, o corpo entra em colapso.

A gente acompanha também Jeremy (Jeremy Pope), um cara à margem, invisível, que se vê sugado por esse caos buscando um propósito. Enquanto Cooper e Jordan correm por Paris, Veneza, Roma e Nova York, descobrem que a “Corporation” vai fazer de tudo pra proteger seu império trilionário, inclusive liberar o “Assassin” (Anthony Ramos), o executor que limpa quem ameaça expor a droga.

No final, a epidemia já está fora de controle, espalhada por várias cidades. Cooper acaba infectado, e a série encerra com ele olhando pro espelho, lindo, mas sabendo que seus dias estão contados. Jordan sobrevive, mas carrega a culpa de não ter conseguido parar a distribuição. A última cena é aquela imagem gelada da sociedade inteira obcecada, enquanto a Corporation comemora o lucro.

3. Análise aprofundada

Personagens
Cooper é o típico agente cínico, mas Evan Peters traz uma fragilidade que me pegou — ele quer ser desejado, e o vírus mexe exatamente nessa ferida. Jordan (Rebecca Hall) é o contraponto racional, mas ela também tem suas vaidades, e ver a postura dela ruir foi forte. Jeremy é o coração da série: ele não é bonito, é rejeitado, e quando a “beleza” chega pra ele, você sente a euforia e o horror ao mesmo tempo. Ashton Kutcher como o bilionário frio foi uma escolha que me surpreendeu; ele não faz o vilão caricato, ele faz o homem que acredita estar salvando o mundo.

Direção e roteiro
Murphy e Hodgson mantêm o ritmo ágil, quase frenético, pulando entre as cidades. Algumas cenas são puro choque visual — corpos “perfeitos” que começam a se deteriorar em close, pele rachando como porcelana. O roteiro tem momentos expositivos demais no meio da temporada, mas a estrutura de liberar 3 episódios de cara e depois 1 por semana cria um vício.

Fotografia, trilha e visual
A fotografia é luxuosa, cores saturadas, luzes de passarela que quase cegam (tem até aviso de luzes estroboscópicas). A trilha sonora mistura batidas eletrônicas com algo melancólico, reforçando essa sensação de beleza que adoece.

Temas
Aqui está o que mais mexeu comigo: a série não é só sobre um vírus. É sobre o quanto a gente se submete a padrões estéticos, ao filtro do Instagram, à ideia de que ser bonito vale mais que ser vivo. O “The Beauty” é metáfora direta da nossa cultura de aparência.

4. O que funcionou muito bem
• A premissa — transformar desejo em doença — é genial e atual.
• As atuações de Evan Peters e Jeremy Pope, ambos entregam camadas, não só “gente bonita”.
• As cidades como personagens, cada uma com sua atmosfera.

5. O que falhou ou decepcionou
• Algumas cenas de ação são exageradas, quase gratuitas, e quebram o clima.
• A Bella Hadid no início atua de forma bem travada; eu quase parei no episódio 1 por causa disso.
• O meio da temporada tem diálogos explicativos que poderiam ser mais sutis.

6. Minha interpretação pessoal
Eu não esperava que o final fosse tão amargo. Acho que o “The Beauty” simboliza o custo de tentar se encaixar. Cooper se infectar no último episódio parece dizer que ninguém escapa — nem o investigador, nem o cético. E o “Assassin” é quase a personificação da indústria que elimina quem ousa questionar.

⭐ Nota: 8/10

É uma série ousada, visualmente deslumbrante e com um subtexto que fica martelando na cabeça. Perde pontos por alguns excessos e por atuações irregulares, mas acerta no que importa: te faz pensar no preço da beleza. Saí da maratona inquieto, e isso, pra mim, vale muito.

O Som da Morte (2025)


🎬 O Som da Morte - Crítica Completa 

Cara, deixa eu falar… eu fui ver O Som da Morte meio por acaso. Vi o cartaz na fila do cinema, aquele apito esculpido em forma de caveira, e pensei “parece mais um Premonição com tempero asteca”. O diretor é o Corin Hardy (o cara de A Freira), o elenco tem a Dafne Keen, então entrei com a expectativa de um terror competente, nada revolucionário, mas divertido.

1. Abertura pessoal  
Cheguei cansado, depois de um dia puxado, e já nos primeiros 10 minutos o filme me pegou. A fotografia escura, corredores de escola com luz amarelada, aquele clima de ensino médio que nunca parece seguro. Eu não esperava que o apito fosse tão presente — literalmente o som dele gruda na sua cabeça depois que você sai da sala.

2. Resumo com spoilers  
A história começa com Mason, o astro do time de basquete, tendo visões de um homem queimado antes de pegar fogo e morrer do nada. Meses depois, a nova aluna Chrys Willet (Dafne Keen) ganha o armário dele e acha o tal apito da morte asteca. Por provocação, ela e o colega Dean sopram o apito na detenção, junto com a prima dela Rel, a namorada de Dean, Grace, e a Ellie (Sophie Nélisse).

A partir daí cada um é assombrado pela “sua morte”. Grace envelhece rapidamente até virar uma velhinha e desaba. Dean morre num acidente que parece uma batida de carro. Rel tenta transferir a maldição matando o pastor Noah, mas as meninas impedem o sacrifício; no fim Rel acaba sendo dilacerado pela própria aparição, como se uma trituradora o despedaçasse.

Chrys e Ellie descobrem que dá pra escapar morrendo por alguns segundos e sendo revividas — Ellie tem material médico no carro e as duas se esfaqueiam, param o coração e voltam. O plano funciona, o pastor Noah acaba tocando o sangue de Ellie e a maldição vai pra ele, que morre.

Achei que tinha acabado, mas não. O professor Sr. Craven (Nick Frost) pega o apito, sopra por curiosidade e morre de um câncer de pulmão fulminante, algo que ele não tinha no dia anterior. Chrys e Ellie conversam com a avó de Mason, Ivy, que explica que a única forma de se livrar é “marcar” outra pessoa com seu sangue.

Elas acham que escaparam, mas no epílogo uma nova aluna, Asha, abre o mesmo armário, acha o apito e, num assembleia da escola, em vez de tocar violino, ela sopra o apito. Chrys e Ellie gritam pra ela parar, mas ela sopra mesmo assim. Tela preta.

3. Análise aprofundada  
Personagens – Dafne Keen carrega o filme. A Chrys é teimosa, vulnerável, e você sente o medo dela real. Ellie é a mente prática, a diabética que tem a solução literal na mochila; gostei desse detalhe. Rel é o impulsivo que tenta resolver tudo com violência, e isso o condena. O Sr. Craven, do Nick Frost, é o alívio cômico que vira vítima rápida.

Direção e roteiro – Hardy mantém o ritmo bem ágil (100 min). As mortes são criativas, cada uma espelhando o destino que a pessoa teria. O roteiro do Owen Egerton é esperto ao transformar o apito numa espécie de “lista de morte” inevitável, mas também cai em vários clichês de terror adolescente. Tem jump scares previsíveis.

Fotografia, trilha e visual – A fotografia do Björn Charpentier usa tons frios, muitos corredores vazios. A trilha da Doomphonic é baixa, quase um zumbido, que cresce quando o apito soa — esse som rouco e gutural realmente incomoda.

Temas – O filme fala sobre inevitabilidade. Você pode tentar enganar a morte, mas ela só troca de alvo. Também tem um subtexto sobre culpa: quem decide quem deve morrer no lugar de quem?

4. O que funcionou muito bem  
A ideia do apito como gatilho da própria morte. Cada morte visualmente ligada ao destino da pessoa (Grace envelhecer, Dean no acidente).
A cena em que Chrys e Ellie se esfaqueiam e reanimam foi tensa, bem coreografada.
Dafne Keen, sem dúvida o ponto alto.

5. O que falhou ou decepcionou  
Me irritou quando o filme explica a regra da maldição só na metade final; até lá a gente fica meio perdido.
Algumas mortes são bem CGI, parecem artificiais.
O final com a Asha é óbvio, tipo “a maldição continua”. Esperava algo mais ousado.

6. Minha interpretação pessoal  
Acho que o apito é uma metáfora pra ansiedade adolescente: você ouve um “aviso” do que vai dar errado na sua vida e fica obcecado tentando mudar, mas acaba passando a ansiedade pra outra pessoa. O fato de só “passar” a maldição pra alguém indica como a gente transfere nossos medos pros outros.

⭐ Nota 6,5/10

O filme tem uma premissa ótima e a Keen está excelente, mas o roteiro não ousa sair da fórmula Premonição. É divertido, tem cenas fortes, mas falta aquele susto que fica na cabeça dias depois. Vale a pena se você curte terror teen com mortes criativas.

Devoradores de Estrelas (2026)


🎬 Devoradores de Estrelas - Crítica Completa 

Cara, preciso desabafar com vocês depois de ver Devoradores de Estrelas. Fui ao cinema quase sem expectativa — sabia que era o novo do Phil Lord e Christopher Miller, a dupla do Aranhaverso, e que o Ryan Gosling tava no papel principal, mas entrei meio desconfiado. O trailer prometia ficção científica bonita, mas a gente já viu tanto filme de “um cara sozinho no espaço” que eu temia mais um Perdido em Marte repaginado.

1. Abertura pessoal
Cheguei na sessão da noite de sexta, meio cansado, pipoca na mão. Nos primeiros 10 minutos eu já tava intrigado: o filme começa com Ryland Grace (Gosling) acordando numa nave, sem memória, sem saber quem é, onde está, ou por que tem tubos médicos enfiados no corpo. Eu fiquei irritado no começo, porque o filme não te entrega nada mastigado — você vai juntando as peças junto com ele. E isso, no fim, foi a parte que mais me prendeu.

2. Resumo com spoilers
Aos poucos a gente descobre que a Terra está esfriando porque o Sol está perdendo energia por causa de umas algas espaciais chamadas “Astrofagos”. Grace é um professor de ciências que foi recrutado pra uma missão suicida até o sistema Tau Ceti pra tentar reverter isso. Ele era o “plano B”, escolhido justamente por ser cientista generalista.

No meio da missão, ele encontra um alienígena na outra nave que apareceu lá — o cara é um aracnídeo rochoso, chamado Rocky. A comunicação é o ponto mais genial: eles não falam a mesma língua, então criam uma linguagem com luzes, símbolos e matemática. A amizade dos dois é o coração do filme.

A reviravolta vem quando descobrimos que Rocky é de um planeta que também está morrendo pelo mesmo motivo. Os dois unem conhecimentos (Grace entende de biologia, Rocky de engenharia) e desenvolvem um plano pra usar os Astrofagos como combustível.

No clímax, Grace decide se sacrificar: ele precisa ir numa nave menor, se expor ao espaço e plantar os “filtros” que vão salvar os dois mundos. Ele consegue, mas fica à deriva, achando que vai morrer sozinho. Só que Rocky volta, resgata ele, e no final os dois conseguem voltar pra seus planetas. A última cena mostra Grace, já velho, recebendo a visita de Rocky anos depois — eles mantêm contato.

3. Análise aprofundada
Personagens
Gosling acerta em cheio. Ele passa aquela vulnerabilidade de um cara comum, nada de herói bombado. A gente sente o medo dele, a solidão, a teimosia científica. Rocky, feito em CGI, é absurdo de carismático — cada gesto, cada luz que ele emite, passa emoção. A amizade entre eles é o que sustenta o filme.

Direção e roteiro
Lord e Miller apostam num ritmo que alterna flashbacks da vida de Grace na Terra com o presente na nave. Eu não esperava que eles conseguissem equilibrar humor e drama tão bem. Tem cenas leves (Grace ensinando Rocky a ouvir música) e cenas tensas (o reparo externo na nave). O roteiro do Drew Goddard é esperto, não subestima o público.

Fotografia, trilha e visual
A fotografia do Greig Fraser é estonteante. O espaço é escuro, mas tem cores quentes nas luzes da nave e nas emissões do Rocky. A trilha do Daniel Pemberton é discreta, mas nos momentos emocionais ela cresce e te pega.

Temas
O filme fala sobre colaboração, sobre como a ciência só avança quando há cooperação — até entre espécies diferentes. É também sobre sacrifício pessoal pelo coletivo, mas sem cair no discurso piegas.

4. O que funcionou muito bem
A amizade Grace-Rocky. É o ponto alto, me emocionei mais do que esperava.
A forma como a comunicação é construída, sem legendas mágicas.
O equilíbrio entre ciência real e poesia.

5. O que falhou ou decepcionou
O primeiro ato é lento; se você não curtir ficar no “mistério”, pode se entediar.
Alguns personagens humanos da Terra são apagados, só servem pra dar contexto.
O final é bonito, mas um pouco previsível.

6. Minha interpretação pessoal
Achei genial a cena em que Grace ensina Rocky a ouvir “Rock and Roll”. É mais que um momento fofo: é a ideia de que arte e ciência são linguagens universais. Também notei que o filme não demoniza o “outro”. Rocky poderia ser o monstro da história, mas vira o parceiro mais leal. Pra mim, isso é um recado direto sobre os tempos que vivemos — a gente precisa parar de ver diferença como ameaça.

⭐ Nota 9/10

Perdeu um ponto pelo começo arrastado e por alguns personagens coadjuvantes subaproveitados, mas ganha tudo na emoção e na forma como transforma ciência em afeto. Saí do cinema com a sensação de que tinha visto algo que, mesmo sendo sci-fi, era muito humano.

From/Origem - (2022)


🎬 From/Origem - Crítica Completa

Cara, preciso desabafar com vocês do meu blogger, depois de maratonar From (no Brasil, Origem). Eu entrei achando que seria mais um terrorzinho de monstro na floresta e acabei viciado, mas também meio exausto.

1. Abertura pessoal
Eu caí nessa série em 2022, meio por indicação de um amigo que jurou que era "Lost meets The Walking Dead". O piloto me pegou de jeito: a família Matthews — Jim, Tabitha e os filhos Julie e Ethan — só queriam atravessar o país de trailer, mas uma árvore bloqueia a estrada e, quando tentam voltar, todas as estradas os devolvem pra mesma cidadezinha isolada. Primeira impressão: clima pesadíssimo, aquela sensação de estar preso num sonho ruim. O xerife Boyd aparece como o cara que tenta manter as regras, e já no primeiro episódio a gente descobre que à noite criaturas que parecem gente batem na sua porta, pedem pra entrar e, se você deixar, te matam.

2. Resumo com spoilers
A cidade não deixa ninguém sair — literalmente, você dirige horas e acaba no mesmo lugar. De dia, os moradores tentam manter uma rotina: tem a Colony House, tem a casa do Boyd, tem o diner da Donna. Eles usam talismãs (símbolos pendurados nas portas e janelas) que impedem as criaturas de entrar. À noite, essas coisas imitam vozes de entes queridos pra te enganar.

A família Matthews vai se dividindo. Jim tenta construir uma torre de rádio pra pedir socorro; Tabitha começa a cavar um buraco enorme no quintal e acaba caindo num túnel que a leva até um lugar ainda mais estranho, com um farol e umas árvores que parecem ter olhos. Victor, um cara que mora ali desde criança, é a chave viva do mistério: ele viu a cidade matar seus pais quando era criança e coleciona desenhos das criaturas.

Boyd, que era militar, decide entrar na floresta de dia pra entender o que há lá. Ele encontra árvores com buracos que funcionam como passagens e acaba preso numa espécie de poço subterrâneo onde tem um monte de cordas penduradas — parece um local de sacrifício. Ele sobrevive, mas volta diferente.

No final da primeira temporada, Sara (uma moradora que ouve vozes) mata o irmão sob "ordens das vozes". O xerife a prende, mas também começa a acreditar que as vozes podem ser uma forma de guia. A última cena da temporada 1 mostra Tabitha caindo no buraco e acordando num mundo diferente, com um farol ao longe. A segunda temporada aprofunda: descobrimos que as criaturas já foram pessoas, há símbolos nas árvores, e que o menino Victor tem memórias de uma "mulher de amarelo" que parece comandar tudo. A temporada 3 fecha com Tabitha saindo da cidade… mas acordando num hospital no "mundo real", o que deixa a gente sem chão.

3. Análise aprofundada

Personagens 
Boyd (Harold Perrineau) é o coração da série. Ele carrega a culpa por não ter salvado a esposa, e essa culpa vira combustível pra ele se sacrificar pelos outros. A atuação dele é o que me fez acreditar. Tabitha é a mãe que se recusa a aceitar que não há saída; a jornada dela de negação pra ação é dolorosa de assistir. Victor é o personagem mais fascinante — ele cresceu ali, conhece as regras, mas também tem medo de lembrar demais.

Direção e roteiro 
John Griffin construiu a série como uma caixa de mistério. Cada episódio entrega uma pista e três novas perguntas. O ritmo é lento de propósito, o que gera tensão, mas às vezes me irritou quando parecia que eles só enrolavam pra manter o suspense. As cenas noturnas são brutais; a de Sara matando o irmão me deixou em silêncio por minutos.

Fotografia, trilha e visual 
A fotografia usa tons frios, céu sempre nublado, e quando a noite cai tudo vira preto quase absoluto — só a luz dos talismãs. A trilha é mínima, mas o som das criaturas arranhando a porta é de arrepiar. O design das criaturas, com rostos humanos e sorrisos tortos, é simples e muito mais assustador do que CGI exagerado.

Temas e subtextos 
Pra mim, From não é só sobre monstros. É sobre trauma, culpa e a necessidade de criar regras pra não enlouquecer. A cidade funciona como uma metáfora do luto: você fica preso nos seus próprios pensamentos, tenta escapar, mas acaba voltando pro mesmo ponto. Os talismãs são como os mecanismos de defesa que a gente usa pra manter a dor do lado de fora.

4. O que funcionou muito bem
A atmosfera. Eu realmente senti aquele medo de apagar a luz.
Harold Perrineau. Ele dá peso emocional a cada decisão.
O mistério do Victor e das crianças que desapareceram — isso me fez querer assistir tudo de uma vez.

5. O que falhou ou decepcionou
O excesso de perguntas sem resposta. Chega a 3ª temporada e ainda não sabemos por que a cidade existe. Eu entendo o jogo do mistério, mas me irritou quando a série introduzia novos enigmas (o farol, a mulher de amarelo, as crianças) sem amarrar os antigos.

Alguns diálogos são expositivos demais, como se precisassem explicar a regra da noite toda vez.

6. Minha interpretação pessoal
Acho que a cidade é uma espécie de purgatório coletivo. As pessoas que chegam ali passaram por algum trauma grave (o acidente dos Matthews, a perda da esposa do Boyd, a culpa da Sara). As criaturas são as manifestações desses traumas, e os talismãs são as barreiras psicológicas que a gente ergue. O fato de Tabitha "acordar" num hospital me fez pensar que talvez ninguém realmente morreu; eles estão num estado entre a vida e a morte, e a única saída é encarar o que os trouxe ali.

Também notei que as crianças da cidade nunca envelhecem — Victor ainda é o mesmo garoto de décadas atrás. Isso reforça a ideia de tempo congelado, como se a cidade fosse um loop de memória.

⭐ Nota: 8/10

Dou 8 porque a série me prendeu de verdade, a atuação é excelente e o clima é único. Perde dois pontos porque, depois de três temporadas, a falta de respostas concretas cansa. Se a quarta temporada não começar a fechar esse círculo, corro o risco de me sentir enganado — mas enquanto isso, ainda tô aqui, ansioso pra descobrir o que tem naquele farol

quinta-feira, 19 de março de 2026

F1: O Filme (2025)


🎬 F1: O Filme - Crítica Completa 

Cara, que viagem! Eu saí do cinema depois de assistir F1: O Filme com o coração batendo a 300 km/h, as mãos suadas e um sorriso bobo no rosto, como se tivesse acabado de dar uma volta no carro do Brad Pitt. Sabe aquele filme que você entra sem muita expectativa (“ah, mais um de corrida”) e sai pensando “caramba, por que não fizeram isso antes”? Foi exatamente isso que rolou comigo.

A história é simples na superfície: Sonny Hayes (Brad Pitt), um piloto lendário que quase morreu nos anos 90 e sumiu das pistas, é chamado de volta por uma equipe fraquinha (a fictícia ApexGP) para mentorar o jovem prodígio Joshua Pearce (Damson Idris). Tem drama de redenção, rivalidade, pressão da mídia, tudo o que a gente já viu em Rocky, Top Gun e companhia. Mas, meu Deus, a forma como Joseph Kosinski (o mesmo de Top Gun: Maverick) filma as corridas muda completamente o jogo.

As cenas na pista são ABSURDAS. Eles misturaram carros de verdade da F1 com câmeras montadas nos veículos, drones e IMAX. Você sente o barulho do motor na cadeira, o vento batendo, a curva fechada que te faz prender a respiração. Tem momento que parece que você está dentro do cockpit junto com o Pitt. E o Brad? Aos 61 anos ele ainda tem aquele carisma preguiçoso de quem sabe exatamente o que faz. Ele não precisa gritar nem fazer drama exagerado – basta um olhar e você acredita que o cara já viveu tudo aquilo. Damson Idris também entrega um novato cheio de fogo, e o elenco de apoio (Javier Bardem, Kerry Condon e até cameos reais de pilotos da F1) dá um gostinho autêntico.

O problema? O roteiro é daqueles que você já sabe o que vai acontecer uns 40 minutos antes. Clichês de filme de esporte dos anos 80/90 aparecem todos: o veterano cínico que aprende a confiar de novo, o jovem impulsivo que precisa de lição, a equipe que vira família… Dá pra prever o final com três curvas de antecedência. Em alguns momentos o filme até freia um pouco pra explicar regras de F1 ou drama de bastidores, e aí a gente sente falta de um pouquinho mais de risco narrativo.

Mas sabe o que salva tudo? O espetáculo puro. É daqueles filmes feitos pra ser visto na tela gigante, com som bom e pipoca na mão. Mesmo quem não manja nada de Fórmula 1 (eu mesmo sou mais de ficar assistindo highlight no YouTube) sai empolgado, torcendo e até aprendendo um pouco sobre o esporte. É entretenimento honesto, daqueles que te faz sair do cinema comentando “vamos ver de novo?”.

No final das contas, F1: O Filme não reinventa a roda, mas acelera tão bem que você perdoa os clichês na hora. É como uma corrida perfeita: começa devagar, ganha ritmo e termina com todo mundo aplaudindo de pé.

⭐ Nota: 8.5/10

(Perde meio ponto só pelos clichês, mas ganha o resto inteiro pela adrenalina pura. Recomendo demais, especialmente no IMAX!)

segunda-feira, 16 de março de 2026

Enterramos os Mortos (2026)


🎬 Enterramos os Mortos - Crítica 

Que filme perturbador e necessário, viu? "Enterramos os Mortos" é daqueles que não te deixa em paz depois que termina. Não é um filme fácil de assistir — longe disso — mas é justamente essa dificuldade que o torna tão relevante e impactante.

A narrativa toca em temas sensíveis com uma seriedade que às vezes a gente não vê no cinema. O filme não quer te entreter só, ele quer te fazer pensar, questionar, se desconfortar até. E consegue. O ritmo é deliberadamente lento em alguns momentos, o que no começo pode parecer arrastado, mas depois você percebe que é proposital — a lentidão é parte do significado.

O que mais me impressionou foi como o filme lida com a morte, o luto e a memória. Não é melodramático, não é artificial. Tem uma autenticidade cruel nos diálogos e nas situações. Os atores realmente se entregam, entende? Você sente o peso emocional em cada cena.

Por outro lado, não vou mentir: tem momentos que ficam muito pesados, quase claustrofóbicos de tão densos. Não é um filme para todo dia, não é aquele que você assiste numa sexta-feira descontraído com os amigos. É cinema que exige disposição emocional.

A cinematografia é sóbria, quase austera, o que combina perfeitamente com o tom geral. Nada de floreados desnecessários — tudo serve à história.

⭐ Nota: 6.7/10

É um bom filme? Sim. É importante? Sim. É inesquecível? Também é. Mas não dou a nota máxima porque em alguns momentos sente-se um pouco que ele carrega muito peso sem sempre encontrar o equilíbrio perfeito entre densidade emocional e narrativa. Ainda assim, é o tipo de filme que fica com você, que você recomenda para pessoas que querem cinema de verdade.

Die Alone (2024)



🎬 Die Alone — Crítica Completa

Die Alone me pegou de surpresa de um jeito que poucos filmes do gênero conseguem. Entrei esperando mais um survival de zumbis com Frank Grillo dando porrada, e o que encontrei foi um conto de horror psicológico e emocional que vai me assombrar por um tempo.

A construção da primeira metade é paciente — talvez paciente demais para alguns — mas agora entendo perfeitamente o porquê. O filme está te manipulando junto com o Ethan. A amnésia, as dores de cabeça, a busca obsessiva por Emma... tudo é cuidadosamente montado para que a revelação final caia como um soco no estômago. E cai. Com força.

A reviravolta de que Mae é Emma é das que fazem você rembobinar mentalmente cada cena anterior com outros olhos. O quanto ela sabia? O quanto ela sofreu? O quanto de cuidado havia naquele sacrifício perturbador de alimentá-lo com carne humana para mantê-lo "humano"? É um amor doentio, cruel, mas inegavelmente devotado — e isso é genuinamente perturbador porque você não consegue simplesmente odiá-la.

A cena em que Ethan tenta se matar e descobre que não pode morrer é devastadora. Tem algo de grego nessa tragédia — dois seres condenados a existir num estado que não é vida nem morte, presos um ao outro pela eternidade. O filme tem a coragem de não resolver isso de forma limpa.

O final ambíguo vai dividir opiniões, mas eu o defendo. Eles caminham de mãos dadas em direção ao pôr do sol — e não há como saber se é redenção, resignação ou simplesmente o vazio seguindo em frente. É poético do jeito errado, e funciona perfeitamente para o tom do filme.

O que pesa contra é que, sem saber da reviravolta, a primeira metade pode parecer lenta e genérica demais. E o vírus vegetal, que é o elemento mais original do universo, continua subaproveitado — existe mais como premissa do que como elemento visual ou narrativo de peso.

Mas no balanço geral? Die Alone é um filme corajoso. Não tenta agradar a todos, confia no espectador e entrega uma história de amor apocalíptica que é ao mesmo tempo repulsiva e estranhamente tocante.

⭐ Nota: 7.8/10

Um horror pós-apocalíptico que esconde uma tragédia romântica sombria e inteligente. A reviravolta muda tudo — e essa é exatamente a intenção. Vale muito a pena para quem quer um zumbi filme que também seja sobre o peso de amar alguém além da razão.

Apocalipse Z - O Princípio do Fim (2024)


🎬 Apocalipse Z: O Princípio do Fim — 2024

Olha, vou ser honesto aqui: Com expectativas medianas para mais um filme de zumbis, e saí com uma opinião bem dividida.

Apocalipse Z é uma adaptação do famoso romance espanhol de Manel Loureiro, e dá pra perceber que o material de origem tem qualidade — a premissa é sólida, o protagonista tem profundidade, e a ideia de acompanhar o colapso da civilização pelos olhos de um único sobrevivente comum tem muito potencial. Isso funciona bem em vários momentos.

O filme acerta quando aposta no tom mais íntimo e claustrofóbico. As cenas dentro do apartamento no início têm uma tensão real, aquela angústia de ficar ouvindo o mundo desmoronar do lado de fora sem entender nada. O ator principal segura bem essa fase. A Lua, a gata do protagonista, roubou mais de uma cena e virou o coração emocional da história de um jeito que não esperava.

Mas o problema aparece quando o filme tenta escalar. A produção europeia tem um orçamento que claramente não dá conta das ambições do roteiro, e algumas sequências de ação soam baratas e mal coreografadas. Os zumbis em si são funcionais, mas sem nenhum elemento visual que os diferencie da média do gênero — e em 2024, isso pesa.

O ritmo também vacila bastante na segunda metade. Parece que o filme não sabe bem se quer ser um survival psicológico ou um thriller de ação, e essa indecisão deixa a narrativa um pouco manca. Algumas escolhas do protagonista forçam tanto a suspensão de descrença que tira você da imersão.

No fim, é um filme que os fãs do livro vão apreciar com ressalvas, e quem não conhece a obra pode achar competente mas esquecível. Não é ruim — está longe disso — mas fica aquém do que poderia ser.

⭐ Nota: 6/10

Um zumbi filme com alma, mas sem orçamento ou coragem para ser memorável. Vale como passatempo para fãs do gênero.

Pecadores (2025)


🎬 Pecadores (Sinners) — 2025

Cara, eu saí do cinema com aquela sensação rara de ter assistido a algo que vai ficar na minha cabeça por semanas. Pecadores não é um filme fácil de definir — e acho que esse é exatamente o maior elogio que posso fazer a ele.

Ryan Coogler entrega aqui algo que vai muito além de um simples filme de terror ou de época. A história se passa no Mississippi dos anos 1930, e ele usa esse cenário carregado de dor, segregação e blues para construir uma metáfora densa sobre identidade, pertencimento e o preço da liberdade. Michael B. Jordan, interpretando os gêmeos Smoke e Stack, entrega provavelmente a melhor performance da carreira dele. É impressionante como ele consegue fazer você distinguir completamente os dois irmãos — não só fisicamente, mas na alma de cada personagem.

A atmosfera do filme é sufocante do jeito certo. A fotografia é linda e angustiante ao mesmo tempo, com aquelas plantações de algodão que viram cenário de pesadelo. A trilha sonora então... absurda. O blues aqui não é enfeite, é narrativa. Cada nota diz algo que os personagens não conseguem colocar em palavras.

O terror não é gratuito. Quando ele chega, você já está tão dentro da história que o peso emocional é devastador. A crítica racial está costurada em cada cena sem ser panfletária — ela respira junto com o filme.

Se eu tiver um ponto a criticar, diria que o terceiro ato perde um pouco do equilíbrio que o segundo ato construiu tão bem. Alguns momentos ali parecem levemente apressados para o fechamento. Mas honestamente? Isso não estraga a experiência.

Pecadores é o tipo de cinema que lembra por que a gente vai ao cinema.

⭐ Nota: 9/10

Um dos melhores filmes de 2025 até agora. Coogler e Jordan estão operando em outro nível.