segunda-feira, 23 de março de 2026

O Som da Morte (2025)


🎬 O Som da Morte - Crítica Completa 

Cara, deixa eu falar… eu fui ver O Som da Morte meio por acaso. Vi o cartaz na fila do cinema, aquele apito esculpido em forma de caveira, e pensei “parece mais um Premonição com tempero asteca”. O diretor é o Corin Hardy (o cara de A Freira), o elenco tem a Dafne Keen, então entrei com a expectativa de um terror competente, nada revolucionário, mas divertido.

1. Abertura pessoal  
Cheguei cansado, depois de um dia puxado, e já nos primeiros 10 minutos o filme me pegou. A fotografia escura, corredores de escola com luz amarelada, aquele clima de ensino médio que nunca parece seguro. Eu não esperava que o apito fosse tão presente — literalmente o som dele gruda na sua cabeça depois que você sai da sala.

2. Resumo com spoilers  
A história começa com Mason, o astro do time de basquete, tendo visões de um homem queimado antes de pegar fogo e morrer do nada. Meses depois, a nova aluna Chrys Willet (Dafne Keen) ganha o armário dele e acha o tal apito da morte asteca. Por provocação, ela e o colega Dean sopram o apito na detenção, junto com a prima dela Rel, a namorada de Dean, Grace, e a Ellie (Sophie Nélisse).

A partir daí cada um é assombrado pela “sua morte”. Grace envelhece rapidamente até virar uma velhinha e desaba. Dean morre num acidente que parece uma batida de carro. Rel tenta transferir a maldição matando o pastor Noah, mas as meninas impedem o sacrifício; no fim Rel acaba sendo dilacerado pela própria aparição, como se uma trituradora o despedaçasse.

Chrys e Ellie descobrem que dá pra escapar morrendo por alguns segundos e sendo revividas — Ellie tem material médico no carro e as duas se esfaqueiam, param o coração e voltam. O plano funciona, o pastor Noah acaba tocando o sangue de Ellie e a maldição vai pra ele, que morre.

Achei que tinha acabado, mas não. O professor Sr. Craven (Nick Frost) pega o apito, sopra por curiosidade e morre de um câncer de pulmão fulminante, algo que ele não tinha no dia anterior. Chrys e Ellie conversam com a avó de Mason, Ivy, que explica que a única forma de se livrar é “marcar” outra pessoa com seu sangue.

Elas acham que escaparam, mas no epílogo uma nova aluna, Asha, abre o mesmo armário, acha o apito e, num assembleia da escola, em vez de tocar violino, ela sopra o apito. Chrys e Ellie gritam pra ela parar, mas ela sopra mesmo assim. Tela preta.

3. Análise aprofundada  
Personagens – Dafne Keen carrega o filme. A Chrys é teimosa, vulnerável, e você sente o medo dela real. Ellie é a mente prática, a diabética que tem a solução literal na mochila; gostei desse detalhe. Rel é o impulsivo que tenta resolver tudo com violência, e isso o condena. O Sr. Craven, do Nick Frost, é o alívio cômico que vira vítima rápida.

Direção e roteiro – Hardy mantém o ritmo bem ágil (100 min). As mortes são criativas, cada uma espelhando o destino que a pessoa teria. O roteiro do Owen Egerton é esperto ao transformar o apito numa espécie de “lista de morte” inevitável, mas também cai em vários clichês de terror adolescente. Tem jump scares previsíveis.

Fotografia, trilha e visual – A fotografia do Björn Charpentier usa tons frios, muitos corredores vazios. A trilha da Doomphonic é baixa, quase um zumbido, que cresce quando o apito soa — esse som rouco e gutural realmente incomoda.

Temas – O filme fala sobre inevitabilidade. Você pode tentar enganar a morte, mas ela só troca de alvo. Também tem um subtexto sobre culpa: quem decide quem deve morrer no lugar de quem?

4. O que funcionou muito bem  
A ideia do apito como gatilho da própria morte. Cada morte visualmente ligada ao destino da pessoa (Grace envelhecer, Dean no acidente).
A cena em que Chrys e Ellie se esfaqueiam e reanimam foi tensa, bem coreografada.
Dafne Keen, sem dúvida o ponto alto.

5. O que falhou ou decepcionou  
Me irritou quando o filme explica a regra da maldição só na metade final; até lá a gente fica meio perdido.
Algumas mortes são bem CGI, parecem artificiais.
O final com a Asha é óbvio, tipo “a maldição continua”. Esperava algo mais ousado.

6. Minha interpretação pessoal  
Acho que o apito é uma metáfora pra ansiedade adolescente: você ouve um “aviso” do que vai dar errado na sua vida e fica obcecado tentando mudar, mas acaba passando a ansiedade pra outra pessoa. O fato de só “passar” a maldição pra alguém indica como a gente transfere nossos medos pros outros.

⭐ Nota 6,5/10

O filme tem uma premissa ótima e a Keen está excelente, mas o roteiro não ousa sair da fórmula Premonição. É divertido, tem cenas fortes, mas falta aquele susto que fica na cabeça dias depois. Vale a pena se você curte terror teen com mortes criativas.

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